Royal Straight Flush

06/07/2011 - não enviada por Camila Rufine 4 comentários
Coração na boca, peito apertado, mãos atadas, pulmões que se enchem e esvaziam depressa demais, moleza nas pernas, euforia, determinação, suor gelado, desespero, anestesia, rubor facial, pensamentos trágicos, paralisia, vontade de desistir, necessidade, raiva, sede de vingança... tudo de uma vez, tudo alternado, tudo separado, nada...

É agora ou nunca. All-in.

Promessa

25/06/2011 - não enviada por Camila Rufine 2 comentários
Eu me conformo com a covardia daquele frouxo por quem estou apaixonada e juro que desisto. Deixo de reclamar que só toca sertanejo nos lugares. Não gasto mais nenhum segundo do meu dia procurando vídeos engraçados na internet. Só assistirei os que cairem de graça na minha frente. Diminuo o tempo gasto nas redes sociais, onde ninguém se importa comigo mesmo. Sentirei menos ganas de vingança, talvez até desista de tentar explodir mentalmente todos aqueles cérebros. Voltarei a ir na igreja com mais frequência. Falarei menos palavrão.  

Farei tudo isso, se eu tiver uma chance de conseguir o que quero.

"But please, please, please, let me get what I want this time..."

Descoberta

03/06/2011 - não enviada por Camila Rufine 3 comentários
 Há três dias eu perdi o emprego da forma mais abrupta, injusta e revoltante.

Em casa, enquanto eu chorava ora silenciosa, ora desesperadamente, só conseguia pensar no quanto eu era infeliz por não poder contar com nenhum abraço apertado.

No dia seguinte, minha caixa de e-mails, meu celular e meu messenger estavam lotados de mensagens de apoio, demonstrações de carinho, sugestões de ajuda, possibilidades de salvação.

Foi o dia em que eu descobri que existem abraços imaginários muito mais potentes do que qualquer contato físico.

Naquela praça...

15/05/2011 - não enviada por Camila Rufine 2 comentários
No primeiro dia de festival de música, eu já tinha jogado a toalha. O caras lindos eram abertamente homossexuais e os maisoumeninhos que chegaram em mim até então eram bem sem tempero. Já era tarde e eu já estava cansada, então achei um puff para sentar com a minha amiga. Foi de lá que visualizei uma agradável surpresa. Ele era loiro, alto e não fez apitar o meu gaydar (radar gay). Não gosto muito de loiros, mas ele nunca se interessaria por mim mesmo. Foi quando vi ele se aproximando, vindo na minha direção. "Não pode ser", pensei. "Ele vai chegar na minha amiga". Mas ele chegou, agachou, e se apoiou na minha perna.

—  Posso me apoiar na sua perna? —  perguntou.
—  Tudo bem —  ele já estava apoiado mesmo.
—  O que você faz aqui tristonha? —  puxou assunto, olhando bem sério para mim.
—  Eu não estou triste, estou esperando o outro show começar —  tentei ser simpática, retribuindo o olhar.
—  Eu não gosto dos shows de hoje. Prefiro os de amanhã. Você não gosta dela? — perguntou, apontando para o palco de onde se apresentava Tulipa Ruiz.
—  Eu gosto, sim. Só vim pra cá porque tô cansada e também não gosto de Ivete — disse, querendo ver se ele expressava seu gosto musical. Muito importante isso.
—  Você não gosta de velho? —  ele questionou com os olhos arregalados.
—  Nããão. Eu não gosto de I-ve-te San-ga-lo, ela está tocando no palco principal agora —  e apontei para o telão lá longe. Dava para ouvir os agudos inconfundíveis dela.
—  Meu, você está pior (de bêbada) que eu. Não tem Ivete nenhuma lá —  ele me disse, com um tom condenador.

Porra. O cara me chamou de bêbada e eu nem tomei 2 cervejas ainda para não precisar ir ao banheiro.  Vá tomar no cu. Mas vamos dar uma chance. Sem Intolerância, Camila. Ele é gatinho.

 —  Tem sim —  disse paciente. — Não tem? —  ohei para a minha amiga esperando cumplicidade. Ela confirmou.
— Ah —  disse ele desconversando. —  Mas porque você esta aqui, perdendo o tempo, sentada. Que feio!! —  continuou.
— Mas eu não tenho preconceito com coisas feias —  brinquei.
—  O quê? —  Gritou ele ofendido. —  Você me chamou de feio? —  E levantou.
—  Não, — eu disse em tom condescendente —  você disse que era feio eu estar sentada e eu disse que não tenho nada contra coisas feias —  desenhei.
— Fulano! —  ele chamou o amigo, que veio do nosso lado —  Ela me chamou de feio.

Eu repeti ao amigo o que eu tinha dito, mas ele ficou indignado comigo também e os dois foram embora chateados.

Nem me dei ao trabalho de tentar evitar ou de me irritar. Não há beleza que compense burrice e surdez juntas.

E assim morrerei solteira. Fica registrada aqui a previsão.

 
 

Sim, senhor

08/04/2011 - não enviada por Graci 1 comentários
Ah, acabei de saber que hoje é dia de festa.
Lembrei de você.

Pensei no quanto é engraçado um primeiro encontro, dei muita risada sozinha e fiz algumas caretas, admito. Para mim, o nosso foi meio traumático, fique sabendo.
Tenho de te dizer que a única coisa que motivou o segundo (e o primeiro também) foi o desespero, afinal, meu bem, estava com medo de nunca mais ficar com alguém na vida... Até que você apareceu e botei na minha cabeça que uma hora aquilo ficava bom.

Tá. Você é bem ajeitado.
Educado, simpático e tem um futuro promissor. Até que dava para encarar.
Mas é chato. Chato. Chato. Muito chato.
É, e em nome do desespero ignorei isso e seu beijo ruim.
Não vou dizer que me arrependo. Minto. Vou sim, porque me arrependo mesmo.
Por um lado.

Admito que me esforcei, por isso mesmo fiquei frustrada com o pé na bunda. Foi mais pelo silêncio durante ele, na verdade, mas foi chato. E foi quadrado, como você. Pensando bem, até que foi bom, porque eu insistiria, mesmo achando que nada batia. Só que sou rancorosa, né? E, sim, rio quando me deparo com algumas peculariedades suas, apesar de lembrar hoje de tão poucas.

Enfim, até hoje não tive a chance de mandar você para algum lugar bem legal. Achei que você merecia o mesmo silêncio, desta vez sem preconceitos, mas quando eu te ver de novo, se algum dia isso acontecer, acho que não terei cara para dizer nada, mas só porque é típico de mim ser assim. De alguma forma, você acrescentou muita coisa na minha vida e sou grata a isso.

Grata, muito grata, por ter comigo alguém que escuta Chico, não pagode.
Que lê meu Vinicius e encarna um poeta em cada ausência minha.
Que brinca com minha falta de crença sem me recriminar.
Que conversa comigo sobre coisas interessantes.
Que compra livros para ler, não para enfeitar a estante.
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É, é isso. Se cuida, tá?